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Resumo de Contabilidade de Custos – Parte 3 – Métodos de Custeio

CUSTEIO POR ABSORÇÃO: são apropriados aos produtos fabricados somente os custos de fabricação – tanto os Custos Variáveis quanto os Custos Fixos. Os Custos Fixos são apropriados por meio de rateios. Tem como inconveniente a arbitrariedade do critério de rateio escolhido (por isso torna-se pouco eficaz para tomada de decisão).

CUSTEIO VARIÁVEL OU DIRETO: só são apropriados aos produtos fabricados os Custos Variáveis, enquanto que os Custos Fixos são lançados diretamente ao resultado como despesas. Características:

  • não atende ao Princípio da Competência, tendo em vista que os Custos Fixos são lançados integralmente no resultado como despesas, independentemente da quantidade (percentual) ou dos produtos que são vendidos.
  • não é aceito pelo Fisco. Pelo fato dos Custos Fixos serem integralmente lançados no resultado como despesas, independentemente do percentual dos produtos que são vendidos, ocorre uma antecipação de despesas e, conseqüentemente, uma redução dos Lucros.
  • é utilizado para fins gerenciais. Como os Custos Fixos são incorridos independentemente da quantidade vendida, para efeito de tomada de decisões é importante que esses custos sejam reconhecidos como redutores dos lucros. A sociedade terá que arcar com os Custos Fixos em qualquer situação, vendendo qualquer quantidade de produtos. Assim, o Custeio Variável é importante ferramenta para embasar a tomada de decisões.

SISTEMA DE CUSTEIO RKW: é um sistema de custeio em que são apropriados aos produtos os Custos Diretos, os Custos Indiretos e as Despesas. Nesse sistema, os Custos e Despesas são inicialmente distribuídos entre os departamentos e posteriormente são alocados aos produtos. A vantagem do RKW é que todos os gastos estão incorporados aos produtos, estabelecendo-se, assim, o preço de venda em função da margem de lucro que se queira obter. O RKW tem aplicação apenas em regimes de monopólio, oligopólio ou em economias com controle rígido da produção e fixação dos preços. O RKW também é aplicado para estabelecimento dos preços de serviços públicos concedidos.

CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES (ABC): é utilizado, essencialmente, para os Custos Indiretos. Sua sistemática permite minimizar as distorções ocorridas no método de Custeio por Absorção (cujo principal problema é o caráter de arbitrariedade com que os Custos Indiretos são alocados aos produtos, pois os critérios de rateio muitas vezes não retratam a real relação dos custos com o produto). A utilização do ABC é efetuada por meio da análise das atividades desempenhadas dentro da indústria, estabelecendo-se uma relação destas atividades com os custos dos produtos. Pode ser sumarizado da seguinte forma:

  • os custos são alocados a cada departamento de produção (departamentalização)
  • posteriormente, os custos de cada departamento são distribuídos para as atividades desenvolvidas por meio dos denominados direcionadores de atividades

Custos → Departamentos → Atividades → Produtos

A atribuição de custos às atividades deve ser feita da forma mais criteriosa possível, segundo a seguinte ordem de prioridade:

  1. alocação direta: identificação clara e direta entre custos e atividades
  2. rastreamento (método ABC): o direcionador dá a relação de causa e efeito entre a ocorrência da atividade e a geração dos custos. Alternativamente, o direcionador de custos é o fator que determina o custo de uma atividade (exemplos: número de empregados, área ocupada, homem-hora, hora-máquina, etc.)
  3. rateio: alocação de custos de forma arbitrária e subjetiva (por exemplo, pode ratear o aluguel para os produtos por meio da hora-máquina)

Resumo de Contabilidade de Custos – Parte 2 – Critério de Avaliação de Baixa de Produtos Acabados

1) Sistema de inventário periódico (Ricardo J. Ferreira)

A empresa não mantém o controle do custo de cada venda. Apenas ao fim do exercício é calculado o CMV. Para isso, existe a necessidade de apuração do estoque final, mediante inventário. No método mais utilizado (conta Mercadorias com função desdobrada), utiliza-se 3 contas:

  • Mercadorias – indica o estoque inicial; não é utilizada para registrar as compras
  • Compras de Mercadorias – utilizada somente para registrar as compras do exercício
  • Receita de Vendas – registra a receita bruta de vendas

CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final
Lucro Bruto = Vendas Líquidas – CMV

Ao fim do exercício, o saldo da conta Mercadorias deve ser ajustado, de forma a indicar o estoque final.

Transferência das compras para a conta Mercadorias:
D – Mercadorias (agora representa o estoque inicial mais as compras)
C – Compras de Mercadorias (zera a conta)

Registro do CMV e, em conseqüência, baixa das mercadorias vendidas:
D – CMV
C – Mercadorias (agora representa o estoque final)

2) Sistema de inventário permanente (regra geral)

O CMV é apurado em cada venda. A conta Mercadorias (ou Estoque de Mercadorias) tem seu saldo ajustado após cada operação de compra ou venda, indicando o estoque efetivamente existente. Por isso, se houver um inventário, o valor encontrado deverá coincidir com o saldo dessa conta.

No ato de compra de mercadorias:
D – Estoques de Mercadorias
D – ICMS a Recuperar
C – Fornecedores ou Caixa

No ato de venda, o CMV é apurado e a mercadoria vendida é baixada do estoque:
D – Clientes ou Caixa
C – Receita de Vendas
D – CMV
C – Estoques de Mercadorias
D – ICMS sobre Vendas
C – ICMS a Recolher

Pelo Inventário Permanente, podem ser adotados três critérios de avaliação de Estoques:

2a) PEPS – O CMV é apurado com base no custo de aquisição das mercadorias mais antigas em estoque. Logo, o estoque final é correspondente ao valor das unidades mais recentes. Admite uma solução simplificada: o CMV é correspondente às primeiras unidades que ingressaram no estoque.

Com inflação (em todos os casos a média ponderada móvel se situa no meio dos outros dois métodos):
CMV (PEPS) < CMV (UEPS)
EF (PEPS) > EF (UEPS)

2b) UEPS (não é admitido pela legislação fiscal brasileira) – o CMV é apurado com base no custo de aquisição das mercadorias mais recentes em estoque. O estoque final é correspondente ao valor das unidades mais antigas.

2c) Média Ponderada Móvel.

Resumo de Contabilidade de Custos – Parte 1 – Gastos

Gastos são os sacrifícios necessários à obtenção de um bem ou serviço. Representam desembolsos imediatos ou a promessa de desembolsos futuros. Os gastos têm um sentido amplo, abrangendo:

  • INVESTIMENTOS: São os gastos que têm como contrapartida um ativo. O gasto referente à aquisição de matérias-primas representa um investimento, tendo em vista que, enquanto estiver estocada, comporá o ativo (estoques) da empresa.
  • CUSTOS: São os gastos relativos a bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços. Exemplos: Mão-de-Obra Direta e Indireta, Materiais Diretos (matérias-primas e embalagens utilizadas no processo produtivo), Gastos Gerais de Fabricação (energia elétrica, depreciação das máquinas de produção e aluguéis da fábrica)
  • DESPESAS: Representam os bens ou serviços consumidos direta ou indiretamente para a obtenção de receitas. Os gastos relativos aos demais departamentos, como os de Venda, Administrativo e Financeiro são considerados despesas.

Os custos de aquisição das Matérias-Primas, Embalagens e outros Materiais Diretos devem representar todos os gastos necessários para que esses materiais estejam em condições de utilização na produção, incluindo os gastos com transporte dos operários que trabalham na aquisição dessas Matérias-Primas.

Os gastos relativos à Mão-de-Obra Direta ou Indireta são aqueles correspondentes aos operários da fábrica.

Regra geral, os Custos Fixos são também Custos Indiretos. A exceção a esta regra é quando a indústria produz apenas um produto, quando os Custos Fixos serão considerados Custos Diretos. No entanto, um custo pode ser variável e ao mesmo tempo indireto

 

Conteúdo adicional

MD = materiais diretos; MOD = mão de obra direta; CIF = custos indiretos de fabricação

MD = estoque inicial de MD + compras de MD – estoque final de MD

Custos Primários de Produção = MD + MOD
Custos de Transformação = MOD + CIF
Custos de Produção = MD + MOD + CIF

Outros conceitos: (PE = produtos em elaboração / PA = produtos acabados)
Custo da Produção Acabada = Custo de Produção + EIPE – EFPE
Custo dos Produtos Vendidos (CPV) = Custo da Produção Acabada + EIPA – EFPA
logo CPV = Custos de Produção do Período + EIPE – EFPE + EIPA – EFPA

  • em relação aos níveis de produção (volume), os custos podem ser divididos em custos fixos, custos variáveis, custos semivariáveis e custos semifixos
  • em relação à apropriação aos produtos fabricados, os custos podem ser divididos em custos diretos e custos indiretos